r/jovemedinamica Oct 08 '23

Relato pessoal Ameaça por recusar horas extra

Olá a todos, Trabalho nesta empresa há 2 anos e recentemente a chefe disse (não perguntou) para irmos a Lisboa (sou do Porto) fora de horas (não pagas), para fazer algo completamente fora da nossa função. Normalmente so fazemos horas extra quando necessário e nunca fora da area de residência, sempre com possibilidade de serem compensadas mas nunca pagas. Naturalmente, senti que especialmente desta vez estavam a aproveitar-se de nós e desrespeitarem-nos, uma vez que nem nos deu opção de rejeitar e comuniquei a minha chefe como me senti, a qual gritou comigo a frente da minha equipa. Passado uma semana, numa reunião 1:1, disse que reportou o que eu disse ao RH e muito subtilmente disse me que se não vestisse a camisola da empresa e não pudessem contar sempre comigo, não me renovava o contrato. Logo, vou ter que fazer estas horas, chegando ao Porto às 2 da manhã.

Nesta situação, vale a pena fazer queixa a ACT ou a única solução é sair da empresa?

EDIT: Não tenho isenção de horário, o meu contrato é o normal 8 horas/dia

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u/Cartz1209 Oct 09 '23

Eu diria que depende. A situação é frequente, bem queixa na ACP. Acontece espontaneamente... se calhar mais vale engolir e começar a procurar alternativas.

O meu exemplo. Trabalhava para uma empresa no Porto. Um dia surge um projecto para uma empresa em Lx. Tenho de me deslocar à dita empresa 2x em semanas diferentes, o que me obrigava a acordar ás 4 da manhã, para estar lá ás 9h. Sair ás 18h para chegar a casa ás 23h.

Para todos os efeitos e face a um dia normal, estes 2 dias representaram cada um cerca de 18h de trabalho. Uma merda porque qualquer plano pós-laboral nesses dias ficava arruinado.

Não se falou em compensação de horas, nem pagamento de horas extra, nem qualquer outro tipo de compensação.

Marquei no entanto todas essas horas como facturáveis. No fim do mês tinha o chefe a dizer-me que só podia marcar 8h porque se toda a gente fizesse como eu, estouravam o budget. Argumentei, mas no fim acabei mais ou menos por fazer como ele me disse - marquei 8h facturáveis e 10h como trabalho interno, só como forma de protesto.

Tanto quanto sei fui o único a fazê-lo e a levantar ondas. Nem ponderei meter ACT nisto. Em 1o lugar foi uma situação rara que aconteceu mais 2 ou 3x no espaço de quase 3 anos. Em 2o, era bem remunerado e tinha isenção de horário (não que isso justifique dias de 18h).

Resumindo, é uma questão de bom senso. No fim acabei por sair da empresa em bons termos e até me pagaram um grande bónus ao qual no papel não tinha direito e que mais que compensou esses fatídicos dias.