r/jovemedinamica • u/Which-Rate2782 • 7d ago
Trabalho presencial não é vida!
Estive um ano em full remote e não me estou a readaptar nada bem ao trabalho presencial. Após uma semana sinto-me mental e fisicamente exausto e não é tanto por estar no escritório, ainda que também, mas é sobretudo pelo percurso casa/trabalho e vice-versa que, para quem não vive exatamente na área, ainda que apenas a 30 km, é um pesadelo.
Quando é que as empresas vão entender que manter trabalhadores mentalmente sãos e confortáveis lhes confere maior produtividade e entusiasmo? No mínimo, um regime híbrido! Metam as desculpas da natureza confidencial do trabalho no cu! O que querem de facto é “microgerir” os funcionários.
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u/canejadeinfundice 4d ago
Já trabalhei nos 3 formatos: presencial, híbrido e full remote, os dois primeiros já antes da pandemia.
Como aqui já foi referido, não existe um modelo perfeito para tudo. Mesmo trabalhando no sector de TI, o modelo híbrido é o que prefiro, desde que, optativo e não obrigatório. Isto porque eu voluntariamente vou ao escritório para fazer o que não faço em casa, i.e., desenvolver relações com colegas de trabalho e eventuais reuniões que funcionam muito melhor presencialmente (brainstormings por ex).
Pós-pandemia acabei por querer ficar full remote por um motivo principal: inexistência de cultura da empresa. A malta não ia ao escritório, só mesmo quando obrigada, porque em muitos casos nem sequer se tinham conhecido presencialmente. Também não havia qualquer esforço para desenvolver relações entre colegas enquanto remote, algo tão facilmente negligenciado pela gestão.
Ora, sem essa cultura, colegas de trabalho tornavam-se pessoas com quem só se falava de trabalho. Uma equipa que se conhece, e para além de trabalho (e não tem que ser amizade fora do trabalho, basta saber mais da pessoa com quem passamos dezenas de horas por semana) tende a ser altamente produtiva. As pessoas conhecem-se bem, ajustam-se às mais valias e lacunas de cada um, e trabalham como uma máquina bem oleada. E claro, ir ao escritório é um bom dia porque vamos estar com pessoas com quem gostamos de estar.
Em Portugal ainda há uma mentalidade muito grande controlo e não se sabe medir produtividade. Horas em frente ao ecrã não equivale a trabalho feito; idas obrigatórias ao escritório não equivale a cultura de empresa nem fomenta relações;
Os livros já estavam escritos antes da pandemia, pelas empresas que lideravam o formato como o Gitlab, Zapier, Basecamp, etc, estão bem descritos os benefícios e desafios de remote. O que não se pode fazer é achar que se faz remote só pelos benefícios, e não funcionando, a solução é presencial.
Há uma diferença desta vez, é que a pandemia aconteceu e provou que é possível trabalhar remote, ser produtivo e ganhar tremenda qualidade de vida. Quero por isso acreditar, que os trabalhadores não cederão facilmente dessas vitórias, e que estas empresas que forçam presencial se verão com dificuldade a contratar, ou só terão júniores.
E se por aí formos, acho que é prova que demoramos menos de 5 anos a desaprender no acontecimento mais relevante deste século.
Também suspeito que a próxima geração não vai aceitar trabalho presencial só porque sim e que o paradigma terá garantidamente que mudar. E claro, alguém tem que povoar o deserto que tá a ficar tudo p que não é litoral em Portugal 😄.