Quero deixar isto claro: não sou de esquerda, nem me identifico com discursos extremistas ou populistas. Sempre me posicionei no centro ou centro-direita, com respeito pela propriedade privada, pelo investimento e pela estabilidade económica.
Mas a situação da habitação em Portugal já ultrapassou todos os limites do razoável.
Hoje, qualquer pessoa com rendimento médio sente na pele a dificuldade em encontrar uma casa onde viver. Jovens qualificados, famílias com estabilidade, profissionais úteis à economia nacional — todos enfrentam preços absurdos, escassez de oferta e concorrência desigual com investidores que não vivem cá, mas compram cá.
As casas estão a ser compradas por estrangeiros ricos, por fundos especulativos, por quem quer apenas rentabilizar. E quem quer viver nelas, não consegue.
E, no meio disto tudo, o que fazem os partidos?
Pouco, ou quase nada.
Medidas tímidas, paliativas, pensadas para não irritar interesses instalados — mas sem coragem para enfrentar a raiz do problema.
E nós, enquanto sociedade?
Nem sequer conseguimos organizar-nos verdadeiramente para exigir soluções.
Não há um movimento estruturado, não há pressão real. Há frustração silenciosa — mas pouca ação coletiva.
Não se trata de ideologia.
Trata-se de bom senso.
As casas em Portugal devem ser, em primeiro lugar, para os portugueses que cá vivem, cá trabalham, cá pagam impostos e querem construir vida neste país.
Há medidas concretas e moderadas que podiam ser implementadas já:
Tributação progressiva a partir do terceiro imóvel;
Taxa elevada sobre imóveis devolutos e segundas casas não utilizadas;
Limitação à compra de habitação por estrangeiros não residentes;
Regulação séria do alojamento local nas zonas com carência de habitação;
Isenção ou redução de IVA para quem constrói ou compra a sua primeira habitação em Portugal.
O que falta?
Coragem política — e pressão social organizada.
A questão que deixo é esta:
Se nem os partidos atuam, e se nem nós, cidadãos, conseguimos unir-nos para exigir o óbvio… então o que resta fazer? Até onde deixamos isto ir?
Porque se não formos nós a exigir soluções concretas, ninguém o vai fazer por nós...